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NR-1 e riscos psicossociais: menos de 100 dias para a entrada em vigor das novas exigências

Publicado por: José Ricardo de Bastos Martins

Área relacionada: Contencioso Cível

A partir de 26 de maio de 2026, passa a ser obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme atualização da NR-1.

A exigência amplia o escopo da gestão de saúde e segurança, incorporando fatores ligados à organização do trabalho, como sobrecarga, metas excessivas, jornadas prolongadas, conflitos interpessoais, assédio e outras situações que possam impactar a saúde mental dos empregados.

A norma não cria um programa, mas redefine o alcance do gerenciamento de riscos, exigindo que esses fatores sejam formalmente identificados, avaliados, controlados e documentados.

O Governo Federal divulgou guia orientativo sobre riscos psicossociais, reforçando a necessidade de abordagem metodológica estruturada e registro das medidas adotadas — sinalizando a expectativa de fiscalização qualificada sobre o tema.

O que isso significa para a empresa?

A adequação não se limita à revisão formal do PGR. Será necessário:

1. estruturar metodologia consistente para identificação e classificação dos riscos psicossociais;

2. implementar medidas organizacionais efetivas de controle e prevenção;

3. produzir registros técnicos capazes de demonstrar diligência em eventual fiscalização.

A tendência é que a fiscalização avalie não apenas a existência do documento, mas a coerência entre o diagnóstico realizado e as medidas adotadas.

Do ponto de vista prático, a atualização pode gerar impactos relevantes:

1. necessidade de integração entre SST, RH, jurídico e compliance;

2. revisão de práticas de gestão e organização do trabalho;

3. maior exposição a autuações administrativas em caso de inadequação;

4. potencial fortalecimento de processos trabalhistas relacionadas a adoecimento psíquico, indenizações e emissão de CAT.

A adoção de atitudes preventivas estruturadas, com metodologia consistente e documentação adequada, tende a reduzir riscos de fiscalização e reclamações trabalhistas.

A equipe trabalhista do Martins Villac acompanha de perto a evolução normativa e eventuais movimentações do Ministério do Trabalho e Emprego — inclusive quanto a possíveis ajustes ou prorrogações — e permanece à disposição para assessorar empresas na revisão estratégica do PGR e na mitigação de riscos trabalhistas.